Segredo

Fevereiro 20, 2009

(Dica L. Marx)

 

Carrego um segredo na alma

Desde que saí inteiro da quebrada

Só tenho minha voz como arma

Mas nenhuma palavra será disparada

 

Carrego o sorriso e a calma

Algum saber conquistado

A pele clara não esconde a origem

Abaixo dos cabelos crespos uma usina de idéias

 

Carrego uma cruz e vigio as matas

Caneta é espada, caderno é escudo

All Star, meu cavalo, me leva a ver tudo

Do conhecimento negado transponho os muros

 

Carrego o presente e o passado

Como posso, tento forjar o futuro

Martelo de ferreiro sempre ao lado

Neste destino um tanto inseguro

 

Carrego um segredo na alma…


A Cidade Perdida

Janeiro 6, 2007

Diante da onda de violência ocorrida no ano passado em São Paulo eu escrevi um poema chamado “A cidade perdida”. Na última semana (última mesmo) ondas de violência semelhantes aconteceram no Rio de Janeiro, por acaso eu estava em Trindade (Estado do Rio). Resolvi, portanto, colocar aqui no blog este poema que, infelizmente, parece que vai permanecer atual por algum tempo…

Cidade Perdida
(Dica L. Marx)

Onde está a poesia
Que há pouco aqui estava?
Não retorna a alegria
À casa que habitava.

Quem te levou daqui
Furtou-me toda a calma,
Incendiou meus sentimentos,
Depredou a minha alma.

Deixou-me em silencio,
Ao seqüestrar minhas palavras,
Matou o meu encanto,
E en canto o decapitava.

E assim, sem voz, vou vivendo,
Se puder chamar de vida
O que há na cidade quieta,
O que há na cidade perdida.

São Paulo, 18 de Maio de 2006.


Morte à Meta

Dezembro 25, 2006

Morte à Meta
(Dica L. Marx)

O amor agora é um ramo
E a perda faz-me pedra,
Madre depressão medra,
Nado ainda neste dano

Não sopra mais a prosa
A doce flor foi cedo
Não saro, deixo a rosa…
- “Não chore: dome o medo”

Perto da morte torpe,
Eu tremo a cada metro
- Foi um corte fundo, e certo…

Toquei, fiquei quieto…
Morte à meta este é o tema,
Então, vale a alma e lava a pena.

São Paulo, 23 de junho de 2004