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(in)Feliz Ano Novo

dezembro 22, 2011

Desejo a todos um feliz 2012

Que seja um ano sem desabamentos de terra em janeiro

Sem desabrigados moradores das encostas…

Um ano que comece sem acidentes nas estradas

Que em 2012 as mulheres sejam realmente respeitadas

E que nenhum ex-namorado enciumado se sinta no direito de subtrair-lhes a vida

Que seja um ano de respeito aos negros, aos indígenas, aos nordestinos

Que tenhamos um ano sem pessoas vivendo nas ruas

E que se passarmos e virmos algo assim, que possamos nos indignar

E, nos indignando, possamos pensar em alguma resposta a isso.

Que 2012 seja um ano sem violência policial contra os movimentos que buscam garantir a democracia…

Um ano sem criminalização dos movimentos sociais

Que 2012 as pessoas votem conscientemente em seus candidatos

E saibam cobrá-los durante suas gestões…

Que futebol, religião e política possam ser discutidos ao contrário do que dizem por aí…

Que no final de 2012 possamos desejar um feliz 2013 com votos de felicidade, saúde e paz…

Caso nada disso do que foi dito se realize, acredito que não podemos desejar essas coisas a ninguém…

Esses são os meus sinceros votos para nós em 2012

Um sentido p’ra mente outro p’ro coração

setembro 23, 2011

Você roubou manhã e tarde

Toda energia da noite

Me levou o nascer e o pôr do sol

Afastou-me a lua em açoites

 

Arrancou minhas horas de sono

Assim como, as de maior lucidez

Corroeu o maior dos meus sonhos

Advertiu minha embriaguez

 

Surrupiou minhas melhores idéias

Me afastou de quem quero bem

Consumiu até minha geléia

Pois, café da manhã já nem sei…

 

Você me roubou tudo isso

E o que sobrou afinal?

Não um homem, resquícios

De quem já brincou no quintal

 

 

 

 

Dica L. Marx

São Paulo, 22 de setembro de 2011.

 

 

 

Será que existe amor em SP?

setembro 15, 2011

O observador caminha pelas ruas de São Paulo.

- Será que existe Amor em SP? – ele se pergunta ao mesmo tempo em que afirma o contrário ao cantarolar a música do poeta da periferia que, como Cartola, arranca poesia da dureza da vida, nesse caso, do concreto frio da cidade cinza.

O observador se pergunta se ainda faz sentido viver nessa cidade, se é viver o que se faz nessa cidade. Ele desce a Rua Augusta a caminho do trabalho. Está atrasado e por isso deixou o café da manhã para mais tarde. Não come desde a meia-noite.

Um carro à Speed Racer atravessa seu raio de visão. O observador pensa em como as pessoas criam coisas que depois passam a controla-las.

- Será que o carro é mais importante que o homem que o ‘dirige’? O homem sai de carro para passear ou o carro leva o homem para passear? – sua visão marxista o leva a uma resposta…

- E Deus? Nós o criamos para que depois ele pudesse nos criar? Depois nós o matamos para podermos ser ‘livres’, apesar de nossa culpa cristã por esse infante-parricídio – sua visão ateia o leva a uma resposta…

O observador  continua seu caminho. Entra no estacionamento-atalho. Ele vê rapidamente alguns pombos e lembra-se do poeta maranhense.

- “Eles sabem voar alto, mas insistem em catar as migalhas do chão”.

O observador continua seu caminho. Pela outra entrada do estacionamento-atalho um homem e um cachorro presos por uma corrente.

- O homem passeia com o seu cachorro ou o cachorro passeia com o seu homem? – sua visão antropocêntrica o leva a uma resposta…

O observador vê o homem se assustar com o voo dos pombos que com ele se assustaram.

- O homem se afasta um pouco para frente seguido de seu cachorro ou o cachorro se afasta para frente seguido de seu homem? – a visão seguinte não o permite chegar a uma resposta…

O observador tenta tampar seus olhos ao ver o carro enorme guiado por um homem ou um homem guiado por um carro enorme que atropela o cachorro do homem ou o cachorro que levava seu homem para passear.

- Deus…Meu Deus…Ai meu Deus!

- Caim…caim…caim!

Depois de um momento ‘de olhos bem fechados’ o observador começa a recobrar sua consciência. O homem carrega seu cachorro no colo ou o cachorro gani no colo de seu homem. Talvez seu ganido queira dizer “ai meu Deus” na língua dos cães, algo como “Oh! My God” ou “Oh! My Dog”.

O observador vê o homem que trabalha como manobrista era ele quem dirigia o carro ou que era dirigido pelo carro. Ele olha para o homem e para seu cachorro ou para o cachorro e seu homem. Sobe novamente no carro e leva esse para o estacionamento ou é levado pelo carro para o estacionamento, o carro que pertence a outro homem ou que possui outro homem e que o homem que trabalha como manobrista nunca irá possuir ou pelo qual nunca será possuído.

O observador não vê mais nada. Ele apenas segue seu caminho, mesmo sem saber como faz isso. Mesmo sem saber para onde vai, qual o sentido.

- Ainda faz sentido viver nessa cidade? É vida o que se tem nessa cidade? Será que existe amor em SP?

Dica L. Marx

São Paulo, 15 de setembro de 2011

Hoje

agosto 13, 2011

Hoje eu tive o privilégio de viver uma daquelas experiências marcantes que dão um novo sentido para o que acreditamos…
Hoje fui à Cidade Líder participar da “Revolução Poética”…Sim, na Cidade Líder a revolução tem local, data e hora marcados…Essa revolução se dá no espaço de uma escola municipal…Tive o privilégio de cantar e contar um pouco da minha história e, o melhor, tive o prazer de ouvir as histórias daquelas crianças, adolescentes, jovens e adultos…
Hoje, eu pude ouvir Tawany recitar seus poemas cheios de vitalidade e força, carregados dos problemas sociais que atingem os moradores das periferias…
Hoje pude ver Maria Dayane recitar seus poemas cheios de esperança revolucionária e marcado pela noção da luta de classes presentes em nossa sociedade
Hoje pude ver “Bolacha” recitar seus versos repletos de conhecimento e percepção filosófica…
Hoje pude ver Seu João, filho de Patativa do Assaré, recitar emocionado (superando a timidez) os poemas de seu pai…
Hoje pude ver Wellington e Pâmela recitarem seus versos sobre o amor…o que me fez lembrar de como eu comecei a escrever…
Hoje pude ver Eduardo, um daqueles bravos educadores que, enfrentando todas as dificuldades da educação pública, ainda realizam processos transformadores…
Hoje pude ver Thaís, Bruna, Wallace, Jéssica, Taís, Pâmela, Victor, Eliane, Letícia, Nayra, Suelen e outros/as dos quais infelizmente não lembro os nomes, mas dos quais sempre me lembrarei da chama nos olhos ao ouvir, recitar, cantar e dançar na Revolução Poética.
Hoje eu percebi que a Revolução pode ter local, data e hora marcadas.

Hasta la victória siempre.

junho 26, 2011

Como nas velhas tragédias, um passo antes da catástrofe descubrimos a hamartia.

Na companhia de Rousseau e de Jeff Buckley

outubro 29, 2009

Enquanto penso no mundo e nas coisas que aprendi,

Vejo o tempo passar rapidamente no relógio digital

O dia continua frio-quente-frio, não me espanto: é São Paulo

Na companhia de Rousseau e de Jeff Buckley eu penso na vida

Uma pena eles estarem mortos

Tomaria fácil um vinho com eles essa noite

Penso se poderia ser um homem mais natural

Penso se este foi nosso “Last goodbye”

Será que nos veremos de novo?

Love will tear us apart again. Não sei…

Não sei, mas acho que aprendi algumas coisas.

 

Sob o efeito da luzes

setembro 23, 2009

 

Sob o efeito das luzes ignoramos qualquer presença

Dopamos nossa mente, somos apenas ausência

Sob o efeito das luzes perdemos a consciência

Bendizemos a ignorância, caímos em sonolência

Sob o efeito das luzes naturalizamos a violência

Somos comparsas da morte, inimigos da inocência

Sob o efeito das luzes a opinião vira crença

A culpa da moça estuprada, o erro e a penitência

 

Sob o efeito das luzes essa gente já não pensa.

Morte

setembro 13, 2009

 

Quando eu morrer quero apenas uma coisa:

Não querer mais nada.

Libertar minha mente

Libertar minha alma

Quando eu morrer

Chorem se quiserem

Sorriam se puderem

Tentem lembrar que eu gostava de sorrir

Quando eu morrer

Ouçam Jeff Buckley ao chegar em casa

Morrissey, Legião talvez

Quando eu morrer

Continuem vivendo.

Segredo

fevereiro 20, 2009

(Dica L. Marx)

 

Carrego um segredo na alma

Desde que saí inteiro da quebrada

Só tenho minha voz como arma

Mas nenhuma palavra será disparada

 

Carrego o sorriso e a calma

Algum saber conquistado

A pele clara não esconde a origem

Abaixo dos cabelos crespos uma usina de idéias

 

Carrego uma cruz e vigio as matas

Caneta é espada, caderno é escudo

All Star, meu cavalo, me leva a ver tudo

Do conhecimento negado transponho os muros

 

Carrego o presente e o passado

Como posso, tento forjar o futuro

Martelo de ferreiro sempre ao lado

Neste destino um tanto inseguro

 

Carrego um segredo na alma…

A Cidade Perdida

janeiro 6, 2007

Diante da onda de violência ocorrida no ano passado em São Paulo eu escrevi um poema chamado “A cidade perdida”. Na última semana (última mesmo) ondas de violência semelhantes aconteceram no Rio de Janeiro, por acaso eu estava em Trindade (Estado do Rio). Resolvi, portanto, colocar aqui no blog este poema que, infelizmente, parece que vai permanecer atual por algum tempo…

Cidade Perdida
(Dica L. Marx)

Onde está a poesia
Que há pouco aqui estava?
Não retorna a alegria
À casa que habitava.

Quem te levou daqui
Furtou-me toda a calma,
Incendiou meus sentimentos,
Depredou a minha alma.

Deixou-me em silencio,
Ao seqüestrar minhas palavras,
Matou o meu encanto,
Enquanto o decapitava.

E assim, sem voz, vou vivendo,
Se puder chamar de vida
O que há na cidade quieta,
O que há na cidade perdida.

São Paulo, 18 de Maio de 2006.

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